terça-feira, 29 de maio de 2012

Melhor amigo esquecido

- Professora, sabia que eu não sou mais amigo do meu melhor amigo.
- Quem era o seu melhor amigo?
- Não lembro mais.

(5º ano)


Os adultos também gostariam de esquecer as decepções com esta facilidade. Não é mesmo?




segunda-feira, 28 de maio de 2012

Ser diferente

- Professora, tu tens um estilo diferente.
- Como assim?
- Tênis azul, cabelo rosa, óculos grande. Todo mundo deveria ser diferente, as vezes ser diferente é legal.

(5º ano)

Suco sintético

O aluno trouxe-me uma caneca de suco. Bebi e fiz cara estranha, tentando definir o gosto.
- O que foi? Não gostou.
- Não, to sentindo o gosto.
- Ah... é um sabor sintético.
- Sintético?
- É, sintético é quando o sabor é feito com química, não da fruta.

(5º ano)

Imaginei as cozinheiras torcendo um pedaço de couro sintético laranja para fazer suco.

Outro país dentro do Ateliê

- Então quer dizer que aqui nós estamos em outro país?
- Como assim?
- Ué, estamos em Cuba!



(5º ano)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Escolhendo o momento para falar

Enquanto organizava a turma para fazer a chamada uma das alunas veio em minha direção, sorriu e disse:
- Eu queria dizer que não quero falar agora, por isso estou voltando para lá e depois eu falo.
Enquanto falava ia retornando ao seu lugar dando pequenos saltos.


Grupos

1º ano
Vamos fazer um jogo, teremos 4 grupos. Agora cada grupo deve escolher um nome para o seu grupo.
Eis aqui as escolhas:

Grupo do Tiranossauro Rex
Grupo dos Fofinhos
Grupo Cor da natureza
Grupo Princesas

E ai, qual seria o nome do seu grupo?




segunda-feira, 21 de maio de 2012

O menino e o picolé

Todos os dias no terminal de ônibus o menino passa com sua mãe e um picolé nas mãos. O sabor do picolé é sempre o mesmo, durante meses. Fico imaginando o quanto deve ser bom aquele picolé, e se a cada dia o menino sente o mesmo sabor.

Como é bom ter 2 anos e todos os dias poder saborear o picolé favorito enquanto espera o ônibus para viajar pelo mundo.

Professora estranha

De tempos em tempos algum aluno passa a ir ao ateliê com frequência no horário do recreio. Ultimamente tem sido um garoto do 5º ano. Ficamos conversando sobre sua turma, a cidade onde vive e as aulas de artes. Tenho percebido nele algumas diferenças, as vezes me lembra meus alunos autistas. Sua ansiedade o faz ter movimentos desordenados e as vezes involuntários. E as vezes vai até a porta, abre para ver se tem alguém do outro lado. É engraçado, ele é uma criança divertida e educada.
Hoje me fez perceber, na verdade recordar, que são das pessoas diferentes que gosto mais.

- Professora, no primeiro dia de aula a gente te achava tão estranha.
- Como assim? Estranha?
- É... Estranha, sei lá.
- Mas estranha de que jeito?
- Estranha, diferente, não sei explicar.
- Ahh... então eu sou um ET.
- Nããão... não é isso.
- Então, o que é estranho em mim?
- Não sei, o jeito de andar, de falar, as coisas que você diz.
- Como é o meu jeito de andar? 
- É diferente. 
- Como? Eu ando devagar, torto, ...? Quero entender porque sou diferente.
- Não sei explicar muito bem, mas a gente não te conhecia. Eu ando torto sabia, meu pé é torto, mas ninguém nota, só eu que percebo quando vou andar e ele fica torto.
- Poxa, então eu devo ter o pé torto também e só tu que nota que eu ando diferente.
- Nããão... professora. Sabe, tu chegou lá na sala e falou umas coisas diferentes. Disse que estávamos errados falando que ninguém sabia desenhar, dai disse que cada um tem o seu jeito de desenhar e fazer arte. Depois desenhou um boneco de cabeça quadrada e disse que não é preciso fazer tudo da forma real, que dá de fazer com quadrado, com circulo, e outras coisas. Dai tu perguntou o que era arte para a gente e uma menina disse que era só rabisco, tu disse para ela que até o final do ano ia provar que arte não era só rabisco. E dai tu provou. Eu chego aqui na tua sala e te acho diferente, entro pela porta e vejo essas coisas e sei que tu é criativa. Uma professora de artes tem que ser criativa. Tu cria coisas com tudo. É tão legal, fazer arte não é igual matemática que somas os números. A outra professora manda a gente fazer isso direto. Minha irmã é advogada, ela sempre esta com a mesa cheia de papéis, mas quando ela tem uma folha em branco ela sempre começa a rabiscar. É tão bom pegar uma folha e fazer algo nela, pintar, riscar e fazer uns rabiscos.
Tocou no fundo da alma.
- Sabe, eu também acho. Uma folha em branco é um convite.



Sabe aquela sequência de dias em que uma coisa desanima a outra e assim vai se formando um acumulo de desanimo e incertezas? O menino Daniel em seu momento de devaneios e ansiedade, desabafou seu sentir e tocou esta jovem professora no fundo da alma. Lá onde estão os sentimentos nobres.
Acho que os seres diferentes/estranhos se entendem.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O que é Monotipia

- Professora, não entendo por que você pediu bandeja de isopor.
- É que na aula que vem vamos trabalhar com monotipia.
- O que é isso? Uma mini pia?
- Hahaha... Monotipia é um técnica de impressão.
- Nossa, só você mesmo para dar estes nomes diferentes para as coisas.

(5º ano)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

3 minutos de compreensão

- Pessoal, hoje a professora esta doente, não pode falar muito. Então queria contar com a compreensão de vocês.
- Ow gente, vamos ajudar a professora.
- Tadinha.
3 minutos depois.
- Blá blá blá...
- Daqui esse lápis Arthur...
- Minha mãe disse que...
- Se eu te der essa figurinha...
...


Quando a professora esta doente eles entendem... por 3 minutos, depois nada aconteceu.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O que é ser underground?

Hoje uma amiga, aluna do ensino médio foi até minha sala fazer uma visita. Entre uma conversa e outra a garota lembrou de um comentário feito na sala pelo professor de história quando falava de tatuagens, piercing, alargadores e afins.

- A escola tem começado a aceitar essa geração underground, temos até uma professora com cabelo rosa.

Então é isso? Virei assunto de aula de história.
Que fique claro, não sou underground. Sou de outra dimensão! 

Marido 3D

Sempre que chego na escola encontro alguns de meus alunos. Alguns cumprimentam e outros acompanham até as salas. Em uma dessas caminhadas acompanhada os alunos conversavam sobre filmes em 3D. Como curiosidade, contei aos alunos que meu noivo não consegue enxergar em 3D. Os meninos não acreditaram que isso era "possível"´. Nós também não sabíamos até irmos ao cinema e depois ao médico.

Fato é que em um outro dia encontrei os mesmo alunos pelo caminho, e para minha surpresa e diversão um deles soltou o seguinte comentário:

- Ow professora hein!? Tais mal de marido, foi arrumar um que não enxerga 3D!


(4º ano)